terça-feira, 28 de setembro de 2010

Se...


Noite de luar
Um olhar
Instintivamente perco a razão
Um toque
Eterniza na lembrança
Fica o perfume e o gosto de um beijo
O gosto de uma paixão
Me perdi
Parece castigo
Gostei
Te perdi
Sozinha pensei no se...
Resta um nome
E um destino (de sorte)
Emoção
Te levo na memória
Deleto do coração


quinta-feira, 24 de junho de 2010

Encontro Inesquecível

Fascina qualquer mulher uma gentileza gratuita
Um olhar carinhoso
Um gesto único
Encanta a companhia desinteressada
A conversa descontraída
O bom uso das palavras
Faz grande diferença
Andar de mãos dadas
Um beijo apaixonado
Planos para o futuro
Um encontro assim raro
Deixa marcas e faz história
Um sonho concretizado
Ou um eterno coração magoado.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Conto 140 caracteres

Concorrendo ao Prêmio da Academia Brasileira de Letras:

Ele entra, pára ao lado do caixão da mãe. Expressão sofrida, desabafa: "Não me conformo, é ouro, esse dente não pode ser enterrado com ela".

terça-feira, 23 de março de 2010

Mais uma poesia que fez parte da minha história... da minha vida...

Neste momento penso em você,
e então quisera me transformar em vento.
E se assim fosse,
chegaria agora como brisa fresca
e tocaria leve sua janela.
E se você escuta e me permite entrar,
em você vou me enroscar
quase sem te tocar.
Vou roçar nos seus cabelos,
soprar mansinho no ouvido,
beijar sua boca macia,
te embalar no meu carinho.
Mas eu não sou vento,
agora sou só pensamento
e estou pensando em você.
E se abrir sua janela,
eu estou chegando aí, agora...
Neste momento, em pensamento...
No vento!

Roberto Shinyashiki

quarta-feira, 17 de março de 2010

Descobri porque não consigo engordar...




Pratique o amor integral

uma vez por dia

desde a aurora matinal

até a hora em que o mocho espia.


Não perca um minuto só

neste regime sensacional.

Pois a vida é um sonho e, se tudo é pó,

que seja pó de amor integral.



Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 16 de março de 2010

O valor e a vida

Ele soube da morte da mãe no dia seguinte do fatídico acontecimento. Os olhos cansados denunciavam a longa noite de trabalho e, agora, demonstravam claro espanto com a multidão que cercava a sua casa. Sentiu o cheiro de más notícias.

Desceu do carro, cumprimentou os poucos que estavam no caminho até a garagem, parou um instante na porta e entrou direto, parando ao lado do leito eterno de sua genitora. Ela tinha o olhar sereno, como se dormisse. Ele a olhava quieto, da cabeça aos pés, e tocando suavemente suas mãos, parou no tempo. A família, os amigos, vizinhos e curiosos calaram-se diante da cena. Nada se ouvia, nada se movimentava. Alguém esperava uma palavra, outros esperavam um surto. Mas nada acontecia.

Segundos que pareceram horas. Finalmente sua esposa o pegou pelas mãos e o levou para uma cadeira de palha próxima ao livro sagrado das peças ornamentais do velório. A filha mais velha lhe trouxe água. Os sussurros começaram por toda a sala e ele não olhava para ninguém, continuava ali, inerte.

A casa, assim como seus cinco moradores, era simples, com poucos velhos móveis, pintura desgastada, nenhum acabamento. A sentinela à rainha acontecia na garagem, onde não havia nem iluminação elétrica, apenas um chão de terra molhada e um telhado de madeira. Entre os mais de cinqüenta presentes, no máximo dez pessoas eram conhecidas da família. Destas dez, contava-se a família e os vizinhos que ela tinha na casa onde vivia sozinha, em um bairro próximo. Ele, o filho, era o único herdeiro da casa de um quarto que a velha senhora morou nos últimos quarenta anos. Juntando casa e móveis, não se conseguia um valor acima de R$ 2.000,00.

Alguns minutos se passaram. Enquanto todos já se voltavam para outras atividades, ele levantou afoito olhando para os lados, como se procurasse alguém. Andou pela garagem, foi até a rua, rodeou o terraço, passou pela sala. No final da cozinha, dois primos papeavam e tomavam um café. Ele seguiu nessa direção, os chamou para mais perto e, antes que algum deles pudesse lhe dizer qualquer palavra de conforto, ele desfez os olhos de cansaço e lhes pediu:

- A minha mãe não pode ser enterrada assim, não é justo, ela vale muito! Vamos, me ajudem a abrir a boca dela, são dois dentes de ouro do lado superior esquerdo.

...