terça-feira, 30 de novembro de 2010

Se e Talvez

A vida que eu escolhi ou a vida que me deram?

Uma palavra pequena, mas que muda todo o destino... Se.

Se eu tivesse viajado para o exterior aos 20 anos?

Se eu tivesse dito sim aos 22?

E se eu não tivesse aceitado aquela oportunidade de emprego?

Ou se eu tivesse aceitado aquela que me chamava pra tão longe da civilização?

Se eu tivesse me acomodado com o conforto do meu lar e o emprego garantido?

Se eu não tivesse bebido?

Eu não tivesse poucos e grandes amigos?

Eu não o tivesse conhecido?

Se tivesse existido um encontro?

Se eu não tivesse feito aquela viagem?

Se eu perdesse o controle de vez em quando?

E se eu escolhesse o caminho mais fácil?



Tantos “se” me remetem a outra palavra, que me traz o conflito da dúvida... talvez!

Talvez eu não tivesse voltado pro meu país;

Talvez eu perdesse o convívio da família e dos amigos;

Talvez eu já teria dois filhos;

Talvez eu estaria desempregada e não teria conhecido pessoas tão especiais;

Talvez eu estivesse fazendo caridade em uma vila esquecida;

Talvez eu estaria no mesmo lugar, com a mesma insatisfação;

Talvez eu não tivesse tido tantos bons e inesquecíveis momentos;

Talvez eu não teria aprendido tanto;

Talvez eu teria ficado;

Talvez eu não teria tido a coragem pra seguir meu coração;

Talvez eu estaria com planos para um futuro solitário;

Talvez eu teria dito o que calei;

Talvez eu estaria rica;

Talvez eu não teria feito tantas escolhas.



Mas... e se tudo tivesse saído exatamente como eu planejei?

Talvez eu não seria tão feliz!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Eu e Eu

Hoje me calei

Um suspiro emanou do peito

Hoje o silêncio foi meu discurso

Meu pensamento

Aqui dentro, a liberdade

Vivi um segundo de mim

E me encontrei

No meu íntimo de sinceridade

Hoje quero a paz

Quero a solidão

Quero não pensar em futuro

Nem reviver o passado

Apenas o aqui e agora

Esquecer o mundo

Fugir da realidade

Quero ser a saudade

Ser meu sonho escondido

Quero viver meu momento vazio

Ser eu e eu mesma

Sinônimo de felicidade.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Se...


Noite de luar
Um olhar
Instintivamente perco a razão
Um toque
Eterniza na lembrança
Fica o perfume e o gosto de um beijo
O gosto de uma paixão
Me perdi
Parece castigo
Gostei
Te perdi
Sozinha pensei no se...
Resta um nome
E um destino (de sorte)
Emoção
Te levo na memória
Deleto do coração


quinta-feira, 24 de junho de 2010

Encontro Inesquecível

Fascina qualquer mulher uma gentileza gratuita
Um olhar carinhoso
Um gesto único
Encanta a companhia desinteressada
A conversa descontraída
O bom uso das palavras
Faz grande diferença
Andar de mãos dadas
Um beijo apaixonado
Planos para o futuro
Um encontro assim raro
Deixa marcas e faz história
Um sonho concretizado
Ou um eterno coração magoado.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Conto 140 caracteres

Concorrendo ao Prêmio da Academia Brasileira de Letras:

Ele entra, pára ao lado do caixão da mãe. Expressão sofrida, desabafa: "Não me conformo, é ouro, esse dente não pode ser enterrado com ela".

terça-feira, 23 de março de 2010

Mais uma poesia que fez parte da minha história... da minha vida...

Neste momento penso em você,
e então quisera me transformar em vento.
E se assim fosse,
chegaria agora como brisa fresca
e tocaria leve sua janela.
E se você escuta e me permite entrar,
em você vou me enroscar
quase sem te tocar.
Vou roçar nos seus cabelos,
soprar mansinho no ouvido,
beijar sua boca macia,
te embalar no meu carinho.
Mas eu não sou vento,
agora sou só pensamento
e estou pensando em você.
E se abrir sua janela,
eu estou chegando aí, agora...
Neste momento, em pensamento...
No vento!

Roberto Shinyashiki

quarta-feira, 17 de março de 2010

Descobri porque não consigo engordar...




Pratique o amor integral

uma vez por dia

desde a aurora matinal

até a hora em que o mocho espia.


Não perca um minuto só

neste regime sensacional.

Pois a vida é um sonho e, se tudo é pó,

que seja pó de amor integral.



Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 16 de março de 2010

O valor e a vida

Ele soube da morte da mãe no dia seguinte do fatídico acontecimento. Os olhos cansados denunciavam a longa noite de trabalho e, agora, demonstravam claro espanto com a multidão que cercava a sua casa. Sentiu o cheiro de más notícias.

Desceu do carro, cumprimentou os poucos que estavam no caminho até a garagem, parou um instante na porta e entrou direto, parando ao lado do leito eterno de sua genitora. Ela tinha o olhar sereno, como se dormisse. Ele a olhava quieto, da cabeça aos pés, e tocando suavemente suas mãos, parou no tempo. A família, os amigos, vizinhos e curiosos calaram-se diante da cena. Nada se ouvia, nada se movimentava. Alguém esperava uma palavra, outros esperavam um surto. Mas nada acontecia.

Segundos que pareceram horas. Finalmente sua esposa o pegou pelas mãos e o levou para uma cadeira de palha próxima ao livro sagrado das peças ornamentais do velório. A filha mais velha lhe trouxe água. Os sussurros começaram por toda a sala e ele não olhava para ninguém, continuava ali, inerte.

A casa, assim como seus cinco moradores, era simples, com poucos velhos móveis, pintura desgastada, nenhum acabamento. A sentinela à rainha acontecia na garagem, onde não havia nem iluminação elétrica, apenas um chão de terra molhada e um telhado de madeira. Entre os mais de cinqüenta presentes, no máximo dez pessoas eram conhecidas da família. Destas dez, contava-se a família e os vizinhos que ela tinha na casa onde vivia sozinha, em um bairro próximo. Ele, o filho, era o único herdeiro da casa de um quarto que a velha senhora morou nos últimos quarenta anos. Juntando casa e móveis, não se conseguia um valor acima de R$ 2.000,00.

Alguns minutos se passaram. Enquanto todos já se voltavam para outras atividades, ele levantou afoito olhando para os lados, como se procurasse alguém. Andou pela garagem, foi até a rua, rodeou o terraço, passou pela sala. No final da cozinha, dois primos papeavam e tomavam um café. Ele seguiu nessa direção, os chamou para mais perto e, antes que algum deles pudesse lhe dizer qualquer palavra de conforto, ele desfez os olhos de cansaço e lhes pediu:

- A minha mãe não pode ser enterrada assim, não é justo, ela vale muito! Vamos, me ajudem a abrir a boca dela, são dois dentes de ouro do lado superior esquerdo.

...

quarta-feira, 3 de março de 2010

Nenhuma relação é em vão

Uma conversa com uma amiga hoje me fez pensar sobre relacionamentos. Ah, relacionamentos, como eles são difíceis. Lidar com pessoas talvez seja a missão mais difícil do ser humano. Somos todos diferentes, com características próprias e pensamentos únicos. E vivemos rodeados, 24h, por pessoas. Momentos bons, maravilhosos, inesquecíveis... ou momentos desastrosos e irreparáveis.

E quando o assunto é relação homem x mulher? Aí que tudo piora. Paixão fulminante, desejo louco e planos para o futuro. Mas, desilusões acontecem. Faz parte da vida. Quantas vezes não encontramos alguém que parece ser especial e pensamos: agora tudo vai ser diferente. Nos entregamos e deixamos a vida acontecer, seguimos caminhos desconhecidos sem medo, sem olhar para trás, apenas confiando que não estamos mais sozinhos e, agora, uma outra metade nos completa para a construção de uma felicidade plena.

Mas, antes que o caminho acabe, percebemos que existe um obstáculo no meio da estrada, troncos de árvores atrapalham a caminhada e nós dois não somos capazes de ultrapassar. Algumas vezes o tronco é até possível de carregar, ainda que com certa dificuldade, para a beira da pista. Outras vezes, pesado demais para sair do lugar.

Aí tudo fica nublado. A decisão é de seguimos separados, de volta pela mesma estrada, lá para o início, de onde começamos. Sentimentos confusos nos dizem apenas para desistir. “Chega de sofrer”, “Eu não nasci pra isso”, “Cansei, vou ficar sozinha”. Passa um, dois, três meses e a história se repete. Lá estamos nós de novo, retomando o caminho de um novo relacionamento, com o sorriso mais largo, confiança redobrada e esperança no futuro, como se nada tivesse acontecido.

Porém, desta vez sentimos que estamos mais preparados, afinal já conhecemos a estrada e os obstáculos; já sabemos da força que vamos precisar mais a frente e da sabedoria que deveremos ter para desviar dos possíveis entraves. Nesse momento, tudo fica claro. Olhar para o passado é sorrir de si mesmo, é descobrir que tudo que foi vivido até então nos transformou em uma fortaleza, um diamante lapidado e preparado para a nova relação que a vida nos apresenta. Desta vez poderemos ir mais longe, construir pontes ou fazer um novo caminho.

E é por isso que nenhum relacionamento deve deixar de ser vivido por medo da desilusão, já que tudo faz parte do que eu chamo de evolução sentimental. Relacionamentos, sejam eles de sucesso ou não, nos levam cada vez mais para o caminho que todos, um dia, querem trafegar: o caminho da felicidade no amor.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

A força de um sonho

A insegurança se perdeu em algum lugar por onde passei. Viajo em pensamento e volto para cá, onde gosto de ficar, sentada, quieta, ouvindo apenas a respiração que quebra o silêncio do lugar.

Fortaleza, carinho e desejo se misturam em um sentimento que não consigo explicar. E já não quero mais sonhar, apenas viver. Viver a realidade que já foi desacreditada, nunca sonhada e, agora, bate em minha porta sorrateiramente.

Por alguns minutos vejo a vidraça da janela. A luz dos raios de sol se confunde com o brilho dos meus olhos. E eu olho apenas para frente, para o tempo e o infinito.

Um caminho me é mostrado, dentre tantos. Mas esse, em especial, deixa-me confiante e me diz que na vida tudo pode acontecer. Basta acreditar.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Eu e eu mesma

Você já teve alguma atitude que depois leva a pensar se mais alguém age assim? Coisas rotineiras, que quase ninguém percebe ou não vê, mas você mesmo ri depois e pensa: “Que loucura!”.

Eu já pensei isso várias vezes, impressionante. Então resolvi anotar algumas dessas “loucuras” pra ver se alguém, além de mim, identifica-se com alguma delas.

1. Querer ter 4 filhos (não precisa ser tudo de uma vez);

2. Imaginar a vida daqui a um, dois anos, em detalhes de imagem (como novela);

3. Sorrir com desconhecidos na rua (às vezes até sem querer);

4. Dormir coberta e com um lençol sob o rosto para sentir o cheiro (como diz minha mãe, cheirando pano);

5. Dormir com a televisão ligada (programada, não gasto energia assim);

6. Pular as linhas das calçadas (isso eu não sei por que);

7. Balançar o pé quando está sem sono para tentar dormir (acho que é por causa do balanço);

8. Lavar os sapatos (acho normal, alguns não acham);

9. Pisar folha seca para ter o prazer de escutar o barulho (e ainda tentar ser discreta);

10. Dizer “oi” para um apartamento vazio quando chega em casa (sem comentários, rs).

Tem mais coisas. Pequenas. Algumas eu realmente não consigo lembrar agora, outras eu prefiro que fiquem comigo, por precaução, rs. Particularidades minhas que podem até parecer loucura, mas que constroem essa mulher única e verdadeira que sou eu.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Do jeito que for - Jorge Vercilo

Aonde cresci
Do que já vivi
Não me lembro de nada na vida
Que mais se pareça com amor
Como lembro de ti

Na minha ilusão
O seu coração
É a peça perdida
No quebra-cabeças daquela emoção
Que um dia perdi

Flor,
Minha vida tá despetalada sem teu amor
E parece que nada vai mudar
Chuva que cai sem parar
Deixa no canto do peito
Esse gosto de dor

Vem,
Eu guardei o meu tempo de vida
Pra mais ninguém
Seja fogo de palha ou seja amor
Seja do jeito que for
Só de pensar em você
Já me faz tanto bem

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Fim de Ano




É chegado o fim do ano. Impossível não pensar "nossa, como passou rápido!". Doze meses vividos e, hoje, revividos. Olhar para trás me traz boas lembranças, de acontecimentos inesperados, de surpresas agradáveis, de decisões loucas e decisivas, de pessoas inesquecíveis.


Não, hoje não quero pensar no que não foi. Quero pensar apenas que a chegada de um novo ano trás consigo novas oportunidades. Claro que momentos tristes existiram, mas hoje os vejo como lição de vida, fortalecimento do corpo e da alma. Instantes que construíram 2009, com seus altos e baixos mas, acima de tudo, com superação.


2010 está chegando bem diferente do que foi o reveillon do ano passado, quando eu buscava desafios. Desta vez, o ano novo chega repleto deles, mas saber quais serão os acontecimentos dos próximos doze meses... hum, isso só Deus sabe. E eu conto daqui a um ano.


Encerro meu último post do ano com este texto de Clarice Lispector que fala de coisas que fui e vivi... especialmente em 2009:



Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo,

já perdi um AMOR por escondê-lo.

Já segurei nas mãos de alguém por medo,

já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.

Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.

Já passei noites chorando até pegar no sono,

já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.

Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.

Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.

Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou,

já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.

Já menti e me arrependi depois,

já falei a verdade e também me arrependi.

Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.

Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.

Já acreditei em pessoas que não valiam a pena,

já deixei de acreditar nas que realmente valiam.

Já tive crises de riso quando não podia.

Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.

Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.

Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.

Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns,

outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.

Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.

Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.

Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.

Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade...

Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".

Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer,

já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.

Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.

Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.

Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.

Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram...

Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.

Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.

Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!

Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!

Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.

Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!

Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.

Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.

Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer: - E daí? EU ADORO VOAR!


Um bom fim de ano para todos e um 2010 de saúde e muito sucesso. Até mais!

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Luz Oculta



Ando por aí
Ainda olhando para o céu em noites estreladas
Querendo achar aquela pequenina estrela especial
Que me encantava e vigiava
Com um brilho que não encontro igual
Hoje não a vejo como antes
Já não percebo o brilho da sua presença
Também não tenho mais a janela do meu quarto
Mas eu sei que ela ainda está lá, mesmo longe
Eu sinto a sua presença, ainda que não a veja
Entre nuvens e a claridade da cidade
Entre tantas a iluminar a noite fria
Ela ainda está lá
Eu sei que está
E mesmo que mude de lugar, ou eu atravesse o oceano
Jamais ela apagará
Estará sempre em algum lugar deste céu escuro
Brilhando e irradiando a sua luz
E eu, daqui, vou seguir certa que um dia a vou reencontrar.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Vazio

Hoje eu queria escrever tanto e, no entanto, não encontro as palavras. Elas se perderam no vazio dos meus pensamentos, em sentimentos que não me agradam e não me trazem a liberdade que preciso para externar emoções, sensações ou aprendizados.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Qual é "a minha cara"?


Palavras que tentam explicar podem confundir mais ainda. Tentar se fazer entender em certas conversas, percebo, algumas vezes, não é uma tarefa muito fácil.

Ontem, em uma conversa espontânea, disse que os lugares tinham que ter “a minha cara”. Saiu assim, sem pensar. Não, não é o caso de colocar a minha foto em todas as paredes ou pendurar espelhos em todos os cantos. Eu quis dizer que preciso me identificar com o lugar. Mas, depois de dita a frase, eu mesma me perguntei: o que é preciso para que o lugar tenha “a minha cara”? Dúvidas ficaram não só com os ouvintes, mas, principalmente, comigo. E agora, como explicar?


Por exemplo, um lugar bonito tem “a minha cara”? Está bem, sou bonita, mas não é todo lugar que me identifico só porque é bonito. Confuso isso? Concordo. Então posso dizer que tenho bom gosto, assim lugares considerados de bom gosto combinam comigo, certo? Não, quais parâmetros utilizar para discernir um bom do mau gosto? Estranho, muito estranho. E se não for um lugar, for um vestido? Um vestido longo tem a minha cara? É, pode ter, mas gosto dos curtos também (se bem que nessa altura do campeonato nem sei mais se tenho o direito de usá-los). Os dois, então, têm a minha cara? Não, se for assim vão dizer que eu tenho duas caras! Ah não, parece coisa de gente mau caráter e isso, definitivamente, não é a minha cara.

Então, qual é “a minha cara”? Dúvidas... Acho que vou ficar com essa aqui mesmo que Deus me deu, bonita e simples. Hum, gostei... acho que essa é a resposta. Porém, sendo assim, eu terei que acrescentar mais alguns adjetivos: limpa, atraente, encantadora, clara, boa...

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Poesias


Um dos leitores deste espaço blogueiro perguntou-me como fazer poesias. Não havia pensado sobre isso ainda para responder esta questão, até porque eu não sei se posso considerar poéticos os meus textos. São sentimentos soltos, vividos ou imaginados, expostos em uma folha em branco, sem intenção alguma; apenas externados em um jogo de palavras que vão surgindo na mente de quem os sente. Sem regras.

É difícil explicar como acontece. Assim como é sempre difícil falar de sentimentos. Já estudei sobre as poesias, conheço as formas do soneto, mas não é a imposição de uma forma literária que me atrai na escrita. Não quero seguir à risca algum tipo de sonoridade, metragem, versos. Admiro muito quem as faz, sou fã de carteirinha de Vinícius de Morais e, por inúmeras vezes, li o famoso “Soneto de Fidelidade”.

Mas, aqui, as palavras saem sem pedir licença. Prefiro que seja assim. Rimas acontecem, mas são frutos de uma mente que, enquanto escreve, pensa mil coisas ao mesmo tempo e, muitas vezes, já conhece a frase final sem nem ter chegado ao meio. E assim nascem os textos, espontâneos, sinceros e encharcados de sentimentos. Como este que segue abaixo.


Amor Platônico

Saudade de um tempo que não existiu... ou existiu
Viveu nos pensamentos
Soltos no mundo da imaginação
Sorriu para a fantasia
E sobreviveu imantado de emoção

Sonhou a realização de um conto
Fez planos para um futuro distante
Plantou sentimento, apostou no presente
Viveu e sofreu cada instante de glória e solidão

Pedaço do meu caminho
Páginas escritas, lidas e relidas
Narrativa descrita em um meio particular
Pertencente ao mundo de paixões

Riso e pranto
Momentos e encantos
Sanidade ou desatino
Nasceu de um inusitado encontro
Morreu por força do destino

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Rica por Natureza

O mundo é tão rico de pequenas coisas que podem nos trazer momentos infinitamente felizes.

Estou lendo um livro muito interessante sobre o dinheiro e seus segredos, do Gustavo P. Cerbasi. Já devia ter feito isso há muito tempo, pois sempre achei que sou uma pessoa que não sabe usar corretamente o fruto do trabalho. Agora eu tenho certeza. É incrível como tenho todas as atitudes erradas que o livro caracteriza como “os erros de uma pessoa pobre”. Bom, mas a intenção deste escrito é falar sobre um pensamento do livro que me fez refletir e que inicio este texto. Uma filosofia vivida e percebida diariamente.

Acordei mais cedo para ir ao trabalho e peguei o ônibus em um horário que não é de costume. Ao entrar, tive a sensação que todos ali sabiam que eu não era daquela “turma”, apenas uma visitante. Ao longo da viagem percebi que eu era exatamente isso. Um rapaz de nome Geraldinho era a atração. Até um senhor que estava distante falava, aos gritos, com este baixinho de voz rouca e cheio de piadas. Todos se conheciam pelo nome, comentavam casos passados e dividiam as suas opiniões. Uma menina ouvia o som do MP4 sem os fones, um rapaz falava ao celular desde que subiu na condução (e, diga-se de passagem, desceu ainda animado com a conversa) e Geraldinho se declarava para Verônica, a quem pedia em casamento e para quem dançava, exibindo-se como pavão em sua seleção sexual. E o mais engraçado eram as duas senhoras sentadas ao meu lado, cada frase ou atitude de alguém era motivo para uma delas me olhar e explicar a situação. Antes de descer, já sabiam o meu nome e me desejaram um bom dia. Tinha como ser ao contrário?

No horário do almoço precisei comprar um presente. Dois shoppings e mais de dez lojas. Uma escolha difícil, até que encontrei um lugar que não tinha o que eu procurava, mas o atendimento e o cansaço me fizeram ficar ali e encontrar algo. Dois rapazes se dispuseram a me ajudar, mas nem eles tinham idéia do que poderiam indicar. Está bem, confesso que o caso não era muito fácil, mas me diverti com o empenho dos dois e da cara que eles faziam cada vez que eu dizia: “não, muito pessoal” ou “não, não dá porque eu não o conheço”. Saí da loja com um pacote feito às avessas, uma melhor compreensão sobre a moda masculina e com a certeza que os homens podem não ser a melhor indicação para nos ajudar a escolher um presente, mas podem nos aconselhar bastante quando o assunto são os próprios.

A fila do banco, após dias de greve, é sempre maior que nos dias habituais. Atrás de mim um senhor alegre e com jeito humilde, já chegou puxando assunto. Alguns minutos de conversa e percebi que ele estava no lugar errado. Perguntei-lhe se já tinha mais de 60 anos, ele respondeu: “Ih, faz tempo”. Então o aconselhei a ir para frente e usar o seu direito de idoso. Ele, muito sem jeito e bem baixinho confidenciou: “Não, eu nunca faço isso, as pessoas vão me olhar de cara feia e brigar comigo, tenho vergonha”. Sorri e lhe disse para ir sem preocupações, garanti que ninguém ia falar nada. Ele assim fez, inseguro, dava dois passos e me olhava, como uma criança precisando de orientação e confiança para tomar uma atitude. Um engraçadinho da fila ainda quis falar algo por conta do erro ao caixa preferencial, mas logo foi recriminado pelos demais. E o senhor, sem perceber nada, pagou as contas e saiu, agradecendo-me um milhão de vezes.

Três histórias em um só dia. Volto para casa no fim da tarde com um sentimento de liberdade e missão cumprida. Não encontrei dinheiro na rua, não fui promovida e nem contemplada com um prêmio milionário, mas ganhei momentos que me trouxeram paz, reflexão e ajudaram a construir capítulos emocionantes e momentos inesquecíveis.

Claro, vou continuar a ler o livro e mudar as minhas atitudes erradas. Afinal, precisamos sentir que crescemos na vida, em todos os sentidos, para sermos felizes, e a prosperidade financeira não pode ser deixada de lado. Mas não quero me privar de momentos simples, quero me deixar ser levada por situações inesperadas e ficar sempre com os olhos bem abertos para a felicidade que eu posso ter de graça.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Querido Diário


Passado anos, hoje estou aqui de volta para desabafar com você. E eu tenho tanto pra falar. Sentimentos, conquistas, sonhos. Tá certo, confesso que esqueci você por vários anos, culpa exclusivamente minha, assumo. Mas ontem alguém me fez relembrar o tempo das nossas conversas íntimas e inocentes.

Pois é, os anos passaram. Eu já não tenho dez anos. Mas às vezes não parece e eu me vejo agindo como tal. Uma menina rebelde, insegura e cheia de sonhos. É verdade, eu sei que os sonhos já não são os mesmos, hoje eu sinto mais os meus pés no chão, mas eu nunca deixei de sonhar. E lutar por tudo que acredito.

Faz uns meses que eu saí da casa dos meus pais justamente por acreditar em mim, acreditar que eu posso tudo aquilo que eu desejo. É, parece loucura. Sabe quando a gente é criança e pensa que somos iguais aos super heróis dos desenhos animados? Pois é, esse sentimento de mulher maravilha não saiu de mim. Não sei se por eu nunca ter deixado de lado esta criança que existe aqui dentro ou se porque muitas das vezes alcanço meus objetivos, entre erros e acertos, de uma maneira meio torta.

É claro, morar longe da família e dos amigos é muito difícil, é viver com uma saudade constante. Mas eu tenho me saído bem, como costumo dizer, já estou ficando mocinha. Hoje eu estudo, trabalho e tomo conta da casa, como gente grande. No início é um pouco complicado: o supermercado parece um jogo que você não conhece as regras; o tempero da sua mãe é lembrado com um sabor delicioso; o dinheiro é dividido pelas despesas, que parecem não ter fim; momentos simples ao lado da família aumentam de valor; um carinho faz muita falta; o mundo parece ser bem maior do que você imaginava. E fica cheio de responsabilidades.

Por outro lado, você descobre, também, que é capaz de superar seus próprios limites. É gratificante perceber os avanços diários, as conquistas em pequenas coisas, o amor que existe dentro da gente e descobrir, ainda, o quanto podemos crescer, amadurecer. E há quem diga que agora que sigo sozinha, cresço sozinha. E eu, com toda certeza, digo que jamais conseguiria alguma coisa na vida sozinha. Primeiro porque tenho Deus à minha frente. Segundo porque tenho uma família que, mesmo longe, está sempre comigo, orientando minhas atitudes e me dando o apoio que preciso. E, terceiro, porque sou cercada de pessoas especiais, amigos que marcam presença mesmo à distância.

Enfim, meu querido diário, hoje eu te coloquei aqui, neste meu canto de palavras perdidas e sentimentos atropelados, como forma de partilha. Desta vez não vou colocar um cadeado em você e guardar essas confidências só para nós dois. Ou melhor, nós três, não nos esqueçamos da minha mãe e suas artimanhas para encontrá-lo. Não, desta vez vou publicá-lo como meio de externar o sonho de uma adolescente que cresceu, mas nunca deixou de acreditar em si. E segue lutando, caindo, levantando e, claro, superando obstáculos.

Até a próxima!

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Brasil - Sede das Olimpíadas 2016


A minha alegria atravessou o mar

E ancorou na passarela

Fez um desembarque fascinante

No maior show da terra

Será que eu serei o dono desta festa

Um rei, no meio de uma gente tão modesta

Eu vim descendo a serra

Cheio de euforia para desfilar

O mundo inteiro espera

Hoje é dia do riso chorar

Levei o meu samba pra mãe de santo rezar

Contra o mal olhado eu carrego o meu patuá

Levei o meu samba pra mãe de santo rezar

Contra o mal olhado eu carrego o meu patuá

Acredito ser o mais valente nessa luta do rochedo com o mar... E com o ar!

É hoje o dia da alegria

E a tristeza, nem pode pensar em chegar

Diga espelho meu se há na avenida alguém mais feliz que eu

Diga espelho meu se há na avenida alguém mais feliz que eu




IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE - 1981

Compositores: Gibi, Serjão e Zé Catimba